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CABOCLOS DO ASSÚ: COSMOGRAFIA E IDENTIDADE ÉTNICA NO RIO GRANDE DO NORTE (c. 2005-2020)

Kamyla Raphaely Macêdo Monteiro

ISBN: 978-65-5889-405-6
DOI: 10.46898/rfb.9786558894056

Sinopse

Em uma das minhas várias andanças pela bela colônia de Pium – bucólico vale da cidade de Nísia Floresta/RN – deparei-me com uma faixa com os seguintes dizeres: “NOSSO ESTADO TEM 30 SANTOS”. Seu autor, que se apresenta como um ex-político e poeta, nos coloca com letras garrafais um complexo processo histórico de construção da imagem dos povos indígenas.
Despercebida ou incompreendida, pelos visitantes veraneios, a nota é uma clara referência aos celebrados mártires de Cunhaú e Uruaçu, canonizados, em Roma, pela sua Santidade, o Papa Francisco. O evento nos remete ao ano de 1645, quando então dois grupos de católicos, em lugares diferentes, foram “massacrados” pelos holandeses “hereges” e seus aliados, os “bárbaros” tapuias. Fazendo da guerra luso-batava (1630-1654) - uma disputa pelo controle do então nordeste colonial e do miolo do escravismo no Atlântico Sul – uma guerra de religiões, o barbarismo ameríndio é amplificado pela sua ação de apoio aos seus aliados hereges. Logo, a elaboração imagética do mártir é a própria antítese do bárbaro, do feroz, do indômito.
O estado do Rio Grande do Norte - assim como seu vizinho mais ao norte, o Piauí - por longo tempo não figurava a presença de indígenas nos censos demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Ausente de povos indígenas, a denominada Guerra dos Bárbaros, ou sua vertente sertaneja, a Guerra do Açu (c.1683-1720) era a resposta do passado que ainda encontra ressonância na historiografia local, em especial, na obra de Câmara Cascudo, mas também de muitos outros. O livro que o leitor tem em mãos nos dirá algo diverso!

Data de publicação:

17 de novembro de 2022 18:38:58

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